Ana Paula Renault — Foto: Vinicius Mochizuki/gshow
Poderosa, sem nenhum receio de ser quem é, com um humor afiado e personalidade única. Ana Paula Renault é considerada por muitos como icônica, daquelas que não baixam a cabeça pra ninguém e que sabem como tomar as rédeas da própria história. Campeã do BBB 26, ela é um fenômeno por onde passa. Aclamada como protagonista e dona do jogo, a jornalista entra para a galeria de participações mais marcantes do reality e estrela a Capa gshow de maio em um ensaio deslumbrante que reflete toda sua potência como mulher.
Aos 44 anos, a jornalista conduz sua trajetória de forma inspiradora para muitas mulheres, defendendo seus ideais com determinação e coragem. Ao mesmo tempo em que dribla as adversidades da vida, em meio aos inúmeros compromissos como ex-BBB, ela concentra sua força e divide seus sentimentos entre o recente luto do pai Gerardo Renault - que morreu enquanto ela ainda estava confinada no reality - e a alegria de ter vencido o reality de maior projeção do Brasil.
Ana Paula Renault defende empoderamento feminino: 'O importante é ser você'
Agora milionária, a mineira conta o que almeja para o futuro, abre o coração sobre a fase de solteira e revela como a relação com os pais moldaram essa personalidade de mulher consciente, que luta pelo empoderamento feminino e celebra ser ouvida em uma sociedade em que muitas já foram silenciadas pelo machismo.
Foto: Vinicius Mochizuki/gshow
Quem vê a sagitariana toda confiante, não imagina que o friozinho na barriga a acompanhou no inÃcio da jornada do BBB 26. "Eu entrei com receio, mas eu fui com medo mesmo, porque eu já tinha vivido isso e sabia que não era fácil".
No BBB 16, há dez anos, Ana foi desclassificada e reconhece seu erro. "A gente não tem que apagar os erros da nossa vida. Já errei inúmeras vezes, continuo errando, e é ter essa consciência presente dos erros na minha vida para conseguir evoluir".
Ana Paula Renault — Foto: Vinicius Mochizuki/gshow
Já no BBB 26, ela conta que entrou na casa sem nenhuma estratégia e declara que em nenhum momento pensou em desistir do programa, nem temeu o cancelamento.
"As pessoas tentam me cancelar desde que elas me conhecem. Então eu sabia que era algo que poderia acontecer, mas que é o risco que se corre para gente conseguir ser ouvida, né?".
Campeã do BBB 26, Ana Paula Renault posa deslumbrante e defende empoderamento
Além de entrar na competição para garantir sua aposentadoria e ampliar suas oportunidades profissionais, a jornalista entrou focada em seus ideais e conta qual foi sua missão no reality.
"O que eu tentei fazer nesses 100 dias foi tentar ser ouvida, desmascarar e jogar abaixo esse estigma que toda mulher que tem opinião é louca, que discorda de alguma coisa (porque) é desequilibrada. O que eu tentei foi dar voz para todas que são parecidas comigo e eu acho que, de certa forma, deu certo."
Foto: Vinicius Mochizuki/gshow
Ana Paula Renault — Foto: Vinicius Mochizuki/gshow
Ana Paula Renault vive o recente luto do pai, que morreu quando ela ainda estava confinada. Focada em compromissos, a jornalista ainda está processando tudo o que aconteceu, mas guarda com carinho as boas memórias de seu grande incentivador.
"Eu ainda não voltei para minha vida porque estou cumprindo agenda profissional, né? Então, não consegui voltar para minha rotina, entender muito bem o que está acontecendo. Mas é isso, pelo menos a agenda está cheia, a cabeça está cheia e a gente tem que se manter em movimento".
Foto: Vinicius Mochizuki/gshow
Se hoje a comunicadora se posiciona, a força também vem de sua história familiar. Seu apoio emocional nos momentos mais difÃceis não poderia vir de outro lugar. "Foi o meu pai, antes, durante e depois do reality. Porque meu pai era a figura viva que eu trocava durante todos esses anos. E minha mãe, eu sou a mulher que eu sou, porque sou muito parecida com ela. Ela já era disruptiva desde a época dela", conta a ex- BBB sobre Maria da Conceição, que morreu quando Ana tinha 16 anos.
"Graças ao meu pai, que era uma pessoa evoluÃda, e sempre deixou minha mãe ocupar os espaços que ela queria. Então, eu cresci vendo minha mãe ocupando lugares importantes, sendo escutada e sendo incentivada pelo meu pai. Aconteceu a mesma coisa comigo".
Ana Paula Renault — Foto: Vinicius Mochizuki/gshow
Ao olhar pra história da famÃlia, Ana lembra com orgulho dos ensinamentos que teve. "Minha mãe sempre foi uma mulher à frente do tempo. Ela tinha liberdade para ser quem ela era. Saiu da roça, foi pra capital se formar. Isso era algo completamente disruptivo. Se formou em Letras, que era o curso da época que as mulheres faziam. Depois ela conheceu o meu pai, que era de uma famÃlia bem diferente da dela, desde condições sociais... Ela nunca se sentiu inferior por isso".
"Aprendi muito a ser assim por causa da minha mãe. Sempre falavam que o jeito de vestir dela não estava legal. Ela gostava de ser perua, valorizar as próprias curvas, sempre se achou linda e gostosona. Meu marco inicial foi minha mãe. Tenho muito orgulho de ter vindo dela. E meu pai, que sempre foi um homem sensacional. Nasceu em 1929, tinha tudo para ser retrógrado, conservador.... Ele nos ensinou a tomar nosso próprio espaço. Foi com ele que eu aprendi a falar e não ter vergonha de ser quem eu sou. Eu sou ele, assim como eu sou ela."
Ana Paula Renault — Foto: Vinicius Mochizuki/gshow
A jornalista também fala com carinho dos irmãos que seguem ao seu lado e seguraram a sua mão nesses dias difÃceis. "Nossa relação sempre foi muito boa. Por parte de pai e mãe, eu tenho a Cida, que é a minha irmã mais nova, e tenho mais três outros irmãos do primeiro casamento do meu pai. A gente se aproximou muito depois que minha mãe morreu, sabe? Não tem muito dessa barreira de 'ai, só somos meios-irmãos'. Não, somos irmãos inteiros. São laços bem fortes, bem sólidos", ressalta.
Ana Paula Renault — Foto: Vinicius Mochizuki/gshow
Dentro do BBB, a jornalista acabou assumindo o apelido de bruxona. Agora, fora da casa, ela explica por que aderiu ao tÃtulo. "A humanidade sempre teve medo de mulheres que voam, sejam elas bruxas, sejam elas livres. Porque todas nós mulheres somos bruxonas, né? Só que antigamente nos tachavam como feiticeiras do mal e nos queimavam vivas. E, agora, o que que é ser queimada viva? É ser cancelada, colocada como mentirosa, como histérica, louca. É essa a nossa inquisição atual".
"Se a gente conseguir passar por isso, e realmente nossas vozes serem escutadas de forma igual os homens são escutados, já adiantou muito, só que agora a gente não tem mais medo de ser chamada de bruxa. Temos que usar esse apelido como nossa força, reparação histórica", completa.
Ana Paula Renault — Foto: Vinicius Mochizuki/gshow
Durante o reality, Ana Paula Renault teve atritos com muitos participantes. Ao ser questionada sobre por qual motivo acredita que tantas pessoas possam ter tido desavenças com ela, a mineira compara com situações aqui de fora.
"Resolveram criar brigas comigo porque eu tenho opinião e não estava a fim de continuar como sempre foi. Vem muito disso, porque os meus maiores embates foram com homens ou com mulheres que prontamente se comovem com o universo masculino. Para uma sociedade patriarcal, para esses homens mais machistas, conservadores, entenderem que não tem mais espaço para isso".
Foto: Vinicius Mochizuki/gshow
Essa mulher empoderada também lida com naturalidade quando o assunto são os procedimentos estéticos. "Também são um autocuidado. É a pessoa se valorizando. Só que tem que refletir se ela está mudando por ela mesma ou se está mudando para se encaixar em um padrão da sociedade".
"O meu único medo é dos procedimentos estéticos nos colocarem cada vez mais dentro de uma caixinhas, quererem nos padronizar. No movimento 'Corpos Livres', todas as mulheres estavam se sentindo muito à vontade com os próprios corpos e aà agora tem uns 2, 3 anos que o padrão vira aquela magreza de novo. Por quê? Porque a gente estava se sentindo poderosa demais e estava teoricamente fácil demais".
Ana Paula Renault — Foto: Vinicius Mochizuki/gshow
Consciente de até aonde vai nesse aspecto, Ana conta que o seu maior cuidado tem um foco. "Eu não gosto de usar maquiagem. Os procedimentos estéticos que eu faço são muito relacionados à qualidade da pele. Eu coloco toxina botulÃnica, por exemplo, para deixar a cara mais descansada. Mas nada me impediria, se hoje ou amanhã eu achar que eu deva fazer alguma coisa, eu faço sim".
Focada em cumprir agendas profissionais, a ex-BBB conta que segue solteira, mas brinca: "Como dizia meu pai, eu tenho vários, mas não tenho nenhum". Dona de si, ela também conduz esse aspecto da vida com leveza e bem longe de preconceitos.
Foto: Vinicius Mochizuki/gshow
E será que Ana está disponÃvel para se apaixonar? "Aberta, mas eu sempre falei e volto a repetir que as mulheres funcionam melhor na fartura, porque quando elas têm só um, elas ficam muito focadas nesse um, e aà choram, se desesperam, sofrem muito. AÃ, quando têm dois, ok, começa a dividir ali a atenção. Com três também, agora cinco é um número muito bom, porque se um faz uma coisa que você não gostou, o outro já mandou 'e aà sumida?' e você já chamou a atenção do outro e já saiu com outro, no outro dia, na sequência, tem mais um. Eu acho cinco um bom número. Agora se você conseguir equilibrar oito pratinhos... Vocês vão entender que oito é o número da sorte".
Ao refletir sobre os assuntos impostos a ela, a mineira pondera que já ouviu de tudo, até questionamento sobre o lugar onde mora em São Paulo. "É muita coisa imposta na nossa sociedade. Se a pessoa fica rica, ela tem que morar em tal lugar. Estava todo mundo me questionando: 'Que herdeira é essa que mora na Rua Augusta?'. A Rua Augusta descreve tudo o que eu acredito, que é todo mundo vivendo de forma democrática, junto. É a Patricinha que vocês querem colocar que eu sou, morando do lado de uma prostituta", pondera.
"Por que eu moraria em outro lugar, gente? Se aquilo ali é o retrato do que eu acredito na sociedade, todo mundo convivendo bem, as pessoas sendo respeitadas e diferentes, e isso dá muito certo lá, entendeu?"
Ana Paula Renault — Foto: Vinicius Mochizuki/gshow
Sobre o prêmio, Ana diz que vai analisar possibilidades de investimentos, usar os conhecimentos de uma pós em finanças que fez no passado, e comprar a casa própria. Já imaginando possibilidades para um futuro como apresentadora, ela idealiza como seria o programa que gostaria de apresentar.
"Tem que ser um que incomode, coloque a gente para pensar, traga novos elementos, que você aprenda, mesmo estando em casa sentadinha comendo a pipoca."
Para o formato, ela pensa em algo que seja interessante, debochado, com humor e inteligente. "Tudo foi se perdendo por uma estética muito bonitinha, muito engessada, muito instagramável. Então, se eu pudesse escolher, seria algo completamente contra-instagramável. Gostaria de algo disruptivo e para trazer coisas para a gente pensar, debates que realmente incomodem porque, para mim, se você está na frente da televisão e aquilo não te incomodou, se aquilo não te levou a pensar e raciocinar, não valeu a pena".
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